segunda-feira, 2 de novembro de 2020

BULLYING - O que é?

O que é o bullying?

Existem várias definições para esta realidade, mas podemos dizer que o bullying é uma forma de violência contínua que acontece entre colegas ou entre pessoas que tenham alguma característica em comum (como, por exemplo, terem mais ou menos a mesma idade ou estudarem no mesmo sítio).



QUE FORMAS DE BULLYING EXISTEM?

BULLYING FÍSICO:

- Empurrar, amarrar ou prender.

- Dar bofetadas, murros ou pontapés.

- Cuspir, morder.

- Roubar dinheiro ou outros bens pessoais.

- Rasgar roupa e/ou estragar objetos.

BULLYING SEXUAL:

- Insultar ou fazer comentários de natureza sexual.

- Obrigar à prática de atos sexuais.

BULLYING VERBAL:

- Chamar nomes.

- Gritar.

- Gozar, fazer comentários negativos ou críticas humilhantes.

- Ameaçar.

BULLYING SOCIAL:

- Deixar de fora dos trabalhos de grupo e/ou dos jogos.

- Inventar mentiras.

- Espalhar rumores, boatos ou comentários negativos ou humilhantes.

CYBERBULLYING: 

Espalhar informação falsa, assediar/perseguir, incomodar e/ou insultar através de SMS, MMS, e-mail, websites, chats, redes sociais.

BULLYING HOMOFÓBICO:

É uma forma de bullying motivada pelo preconceito em relação à orientação sexual ou identidade de género de outra pessoa (seja essa pessoa homossexual, heterossexual, bissexual ou transsexual).

Pode tomar a forma de bullying físico, sexual, verbal, social e/ou cyberbullying, como, por exemplo:

- Contar (ou ameaçar contar) a outras pessoas, contra a nossa vontade, segredos ou informações sobre a nossa sexualidade;

- Discriminar com base na nossa identidade e expressão do género sexual (relacionado com a maneira como nos vestimos ou nos expressamos);

- Fazer comentários negativos de cariz sexual e/ou gestos obscenos;

- Praticar toques sexuais indesejados ou outros atos sexuais contra a nossa vontade;

- Fazer comentários e/ou piadas homofóbicas;

- Denegrir a nossa imagem junto de outras pessoas, inventando mentiras ou espalhando rumores/informação falsa;

- Excluir propositadamente do nosso grupo de amigos e/ou forçar o afastamento dos amigos ou das pessoas que nos são mais próximas;

- Deixar de fora das atividades, dos desportos/jogos e/ou das coisas que gostamos de fazer.

AFINAL O QUE É O CYBERBULLYING?

É uma forma de bullying cometido através da Internet e das novas tecnologias, em que alguém (normalmente uma pessoa/grupo que conheces da vida “real”) procura ofender, envergonhar e humilhar outra pessoa.

Qualquer jovem pode ser vítima de cyberbullying através de, por exemplo:

- emails ou mensagens recebidas (no telemóvel, no Facebook, em chats) com ofensas, insultos ou ameaças;

- emails ou mensagens recebidas (no telemóvel, no Facebook, em chats) contendo vídeos e/ou fotos que causam desconforto ou embaraço;

- emails recebidos contendo vírus;

- uso das passwords para entrar no email e/ou na conta do Facebook para enviar emails insultuosos ou para publicar informação ofensiva ou falsa (sobre nós ou sobre pessoas que conhecemos);

- emails, mensagens ou comentários  partilhados com outras pessoas (pelo telemóvel, no Facebook, em chats), que contenham informação falsa ou humilhante sobre nós, tais como comentários, fotos, imagens ou vídeos, para envergonhar e prejudicar. 

O que é o CYBERSTALKING?

STALKING significa um conjunto de comportamentos de assédio persistente e de contactos indesejados efetuados por uma pessoa contra outra, com o objetivo de conhecer, seduzir, começar (ou reatar) uma relação mais íntima com essa pessoa (por exemplo, namoro). Esses contactos e aproximações são feitos de uma forma que causa desconforto, assusta e intimida a outra pessoa. 

O CYBERSTALKING é uma forma de stalking que envolve o uso da Internet e das novas tecnologias para comunicar e tentar o contacto ou a (re)aproximação a alguém. 

A pessoa que realiza este tipo de comportamentos pode ser:

- desconhecida;

- conhecida (ex.: ex-namorados/as; amigos; colegas).

O stalking pode começar por contatos que parecem inofensivos e românticos como, por exemplo:

- ligar constantemente para dizer ‘olá’ ou para perguntar ‘como estás?’;

- enviar várias mensagens escritas ou emails com juras de amor.

Estes contactos podem evoluir para situações cada vez mais incómodas e reais, por exemplo:

- aparecer nos sítios que a pessoa frequenta, por exemplo, no café;

- vigiar os passos da pessoa, acompanhado as atividades e percursos que esta vai fazendo;

Os contactos e aproximações podem mesmo chegar a envolver violência física ou verbal e ameaças.

 
O bullying é a única forma de violência que acontece na escola?

Não. Para além do bullying, há outras formas de violência na escola, por exemplo: roubos; vandalização do material ou da propriedade escolar; violência contra professores ou outros funcionários; violência dentro da sala de aula; violência sexual; violência no namoro.

A violência entre colegas é normal quando se está na brincadeira?

Não. A violência não é um comportamento normal. A violência também não é uma brincadeira. Nas brincadeiras é suposto que todos os intervenientes retirem gozo e prazer da experiência. Os colegas podem “pregar” partidas uns aos outros mas, quando essas brincadeiras têm como propósito envergonhar, magoar ou prejudicar outra pessoa, deixam de ser partidas para serem um comportamento agressivo ou violento.

Se pensares em “como me sentiria se fosse eu que estivesse no lugar daquele/a rapaz/rapariga que está ali a ser gozado/a?”, rapidamente percebes que a brincadeira só é engraçada para alguns (para quem está a ser gozado/a não é engraçado e, pelo contrário, pode causar vergonha, medo e muito desconforto).

Quem comete mais bullying: os rapazes ou as raparigas?

Ambos. Quer rapazes, quer raparigas podem cometer bullying. Os rapazes e as raparigas distinguem-se pelas formas de agressão que costumam usar:

As raparigas envolvem-se mais facilmente em formas de bullying social, como espalhar rumores, excluir alguém de um grupo ou outras estratégias que procuram humilhar a pessoa no seu grupo de amigos.

Os rapazes recorrem a formas de bullying mais diretas, como os empurrões, a agressão física e os insultos.

Quando é que o bullying começa?

O bullying é um comportamento que geralmente se inicia no ensino básico. Pode, no entanto, continuar durante o ensino secundário e a idade adulta. Se ninguém tomar qualquer atitude em relação à situação, alguém que é agressivo/a quando é jovem manterá esse comportamento nos seus relacionamentos futuros (de amizade, de trabalho, de intimidade).

Excluir um colega do grupo ou espalhar rumores acerca de um amigo pode causar o mesmo impacto do que a violência física?

Sim. O impacto psicológico de uma experiência de violência depende de diferentes fatores:

- do tipo de violência - quando a violência é prolongada no tempo e envolve formas mais graves de agressão, como a agressão física ou a sexual, o impacto negativo pode ser maior;

- das características da vítima - os jovens inseguros e com menos autoestima podem sofrer um impacto negativo mais acentuado;

- do apoio dos pais, professores e amigos - se a vítima estiver mais isolada e decidir não contar a ninguém o que se está a passar, o impacto negativo pode ser mais intenso; ao mesmo tempo, ao não contar o que está a acontecer, o risco de a violência se repetir é maior.

O risco de a violência causar lesões, ferimentos e problemas físicos na vítima é, em princípio, maior quando a situação envolve violência física, porque existe contacto direto entre a vítima e o/a agressor/a. A exclusão e o “espalhar” de rumores pode acontecer sem que vítima e agressor/a estejam cara-a-cara, por isso, o risco de lesões ou ferimentos é menor.

Um dos meus amigos tem sido vítima de bullying.

O que posso fazer para ajudar?

Podes apoiá-lo/la e dar-lhe mais atenção, passando, por exemplo, mais tempo com ele/ela. Deves mostrar que compreendes o que ele/ela está a viver e que entendes que não queira contar a ninguém. Mesmo assim, aconselha-o/a a contar a alguém: diz ao teu amigo/a para procurar ajuda junto dos pais, dos professores ou de outros profissionais.

O que fazer se fores vítima de bullying:

Conta o que se está a passar a um/a amigo/a ou colega em quem confies. A simples presença de um amigo/a ou colega pode ajudar-te e proteger-te.

Conta o que se está a acontecer a algum adulto de confiança que trabalhe na escola. Conta também aos teus pais. 

Os adultos só poderão ajudar-te se souberem o que estás a viver.

Também podes ligar para a APAV (Associação de Apoio à Vítima). Para saber como nos contactar procura os contactos na Internet. Podes pedir ajuda sem te identificares. O apoio é gratuito e confidencial. A APAV presta apoio a todas as vítimas, independentemente de terem ou não denunciado a situação às autoridades.    

Mesmo assim, é importante que a situação seja denunciada às autoridades.

Quer tenhas ou não pedido ajuda ou denunciado o que se estiver a passar, há algumas estratégias que podes sempre usar para te protegeres: 

- Grava contactos telefónicos importantes no teu telemóvel, para poderes pedir ajuda facilmente caso precises.

- Quando saíres diz a alguém em quem confies onde vais e a que horas regressas. Avisa sempre os teus pais.

- Procura caminhos alternativos para os locais que costumas frequentar (por exemplo, de casa para a escola e da escola para casa).

- Procura andar na companhia de pessoas em quem confies. Evitar ser “apanhado/a” sozinho/a é uma forma de evitar as investidas do(s) agressor(es). 

- Se te deparares com o(s) agressor(es) responde com segurança, sem medo e sem violência. Não mostrares que estás assustado/a pode ser suficiente para que o bullying acabe. 

- Se sentires que estás numa situação de perigo, vai para um local onde te sintas seguro/a ou para um local onde estejam mais pessoas. Também podes ligar 112. O profissional que te atender enviará para o local em que te encontras os meios necessários para te proteger.

DEVO DENUNCIAR?

QUALQUER PESSOA QUE TENHA SIDO VÍTIMA DE CRIME OU QUE TENHA TESTEMUNHADO A OCORRÊNCIA DE UM CRIME PODE DENUNCIÁ-LO.

Se foste vítima ou testemunhaste algum crime, é muito importante que o denuncies às autoridades. Se o fizeres, a probabilidade de a pessoa que o cometeu ser punida e impedida de fazer o mesmo a outras pessoas é maior.

Decidas o que decidires, tens sempre direito a ser apoiado/a. Mesmo que não denuncies o crime, é muito importante falar com alguém sobre o que te aconteceu, sobre como te sentes e obter todo o auxílio e apoio de que necessitas. 

É natural que te sintas apreensivo/a por ter que falar com os teus pais, com os teus professores ou com as tuas professoras, ou com as autoridades policiais sobre o que aconteceu ou sobre o que testemunhaste. Contudo, podes ter ajuda ao longo de todo o processo. 

É importante que pais, professores a amigos da vítima de bullying e cyberbullying estejam atentos aos sinais desta agressão, tais como:

- Isolamento.

- Decréscimo no rendimento académico ou profissional ou aumento das horas de estudo (por exemplo, o tempo dedicado à atenção virada para uma só tarefa).

- Não querer estar com amigos e colegas.

- Não querer sair de casa.

- Não atender o telefone.

 
ALGUNS CONSELHOS

- Colocar o computador num local comum.

O simples facto de o computador estar num local onde toda a gente passa, previne que muitas vezes se deixe que os agressores vão mais longe. Principalmente em crianças, que são mais inocentes e não têm tantas defesas, assim sempre podem ter um adulto por perto a verificar o que se passa online. E caso suceda algo, deve-se conversar com a criança e explicar-lhe que ela não tem o direito de ser humilhada e agredida.

- Não partilhar dados pessoais.

Apesar de ser algo se já se devia saber, ainda há quem partilhe dados pessoais, como fotos e número de telemóvel à disposição no Facebook, e isso facilita a vida aos agressores.

- Guardar as mensagens de cyberbullying.

Podem não ser muito agradáveis de ler, mas são uma prova caso o assunto se torne mais problemático e necessite da intervenção de entidades especializadas.

- Mudar de email.

Quando sentires que estão a usar o teu e-mail em sites, muda-o. Isto aplica-se também a passwords, contas de redes sociais, etc.

 
Para saberes mais, podes consultar páginas na Internet que te podem ajudar.

Eis algumas, que nos serviram também de bibliografia:

APOIO À VÍTIMA PARA JOVENS

PORTAL DO BULLYING

SOBRE CYBERBULLYING

FILMES SOBRE CYBERBULLYING:

Cyberbully — Ameaça virtual (2011)

Cyberbully (2015)

Marion, 13 anos Para Sempre (2016)

   

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