Blogue das Bibliotecas do Agrupamento de Escolas General Humberto Delgado, com sede na Escola Secundária/3 José Cardoso Pires, Loures
As perguntas semanais
Podes responder diretamente na tua biblioteca, pedindo uma ficha à funcionária de serviço ou a uma das professoras ou dos professores que aí estiverem.
Preenche essa ficha com os teus dados e pede para a colocarem na caixa de respostas.
Também podes enviar a tua resposta para o email da biblioteca, para o endereço becre.ghd@aeghd.pt. Podes usar o código QR que está na pergunta.
Eis a pergunta desta semana:
Xenofobia e racismo são dois conceitos diferentes mas que muitas vezes se traduzem em atitudes semelhantes de discriminação em relação a alguém. A xenofobia está direcionada para alguém que vem de outro país, mesmo que seja da mesma etnia. Por outro lado, o racismo é a discriminação fundamentada na existência de uma raça superior às outras.
ra·cis·mo
(raça + -ismo)
substantivo masculino
1. Teoria que defende a superioridade de um grupo sobre outros, baseada num conceito de raça, preconizando, particularmente, a separação destes dentro de um país (segregação racial) ou mesmo visando o extermínio de uma minoria.
2. Atitude hostil ou discriminatória em relação a um grupo de pessoas com características diferentes, nomeadamente etnia, religião, cultura, etc.
Palavras relacionadas: anti-racismo, racista, anti-racista.
"racismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013 https://www.priberam.pt/dlpo/racismo [consultado em 18-09-2017]
xe·no·fo·bi·a
(xeno- + -fobia)
substantivo feminino
Aversão aos estrangeiros, ao que vem do estrangeiro ou ao que é estranho ou menos comum. = XENOFOBISMO
Ver também dúvida linguística: pronúncia de xenofobia.
Palavras relacionadas: xenofobismo, xenofóbico, anti-islâmico, xenófobo.
"xenofobia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/xenofobia [consult. em 18-09-2017].
O RACISMO NAS ENCICLOPÉDIAS
O RACISMO, discriminação de povos ou pessoas com base no preconceito da sua inferioridade, tem sido, ao longo dos séculos, parte integrante das mais diversas ideologias e formas de organização social. Esteve, por exemplo, na base da escravatura em muitas civilizações, das judiarias no nosso país, da perseguição conduzida por Adolf Hitler a judeus, ciganos e outros povos, e levada a cabo pelo Terceiro Reich, do apartheid sul-africano, etc. Ainda hoje, os preconceitos de raça, se bem que não marquem a estrutura da maior parte das sociedades, manifestam-se de formas variadas em muitas partes do globo.
O racismo tem sido justificado de muitas maneiras: na maior parte das vezes, pela ideia de que certos povos são intelectualmente inferiores ou bárbaros (porque apresentam costumes diferentes, seguem outras religiões, etc.) ou com base em nacionalismos que veem na sujeição ou rejeição do outro (xenofobia) a defesa do seu próprio modo de vida. No mundo ocidental, o sentimento antijudaico (cuja expressão maior foi o Holocausto nazi) tem a particularidade de se centrar na (suposta) perversidade, e não na inferioridade, dos Judeus, a pretexto da condenação de Cristo, narrada na Bíblia. Para muito autores, tudo isto são manifestações de um etnocentrismo (quando não de fanatismo) que vê tudo à medida de uma determinada cultura, sem compreensão nem tolerância para com as culturas diferentes.
Nas épocas Moderna e Contemporânea foram dados importantes passos na luta contra o racismo. Os contactos entre diferentes povos e culturas intensificaram-se, com cada vez maior abertura e conhecimento de parte a parte. O século XIX assistiu à abolição da escravatura numa série de países e a luta contra a discriminação racial tem envolvido personalidades tão destacadas como Martin Luther King e Nelson Mandela, registando progressos significativos.
O racismo vai contra os princípios da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, que afirma a igualdade de todas as pessoas.
A 21 de março, comemora-se o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial.
Como referenciar: racismo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-09-18 16:58:25].
Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$racismo
A XENOFOBIA
TAL COMO A DEFINE UMA ENCICLOPÉDIA
A XENOFOBIA é um medo excessivo, descontrolado e desmedido em relação a pessoas estranhas, com as quais nós habitualmente não contactamos. O medo é uma resposta normal ao perigo ou ameaça. A intensidade dessa resposta varia de acordo com as diferentes situações e as diferentes pessoas.
Esta doença insere-se no grupo das perturbações fóbicas e, dentro deste grupo, é considerada uma fobia específica. Estas fobias são caracterizadas por ansiedade clinicamente significativa provocada pela exposição a uma situação ou objeto temido (neste caso são as pessoas estranhas ao doente), que frequentemente conduz a um comportamento de evitamento.
As pessoas que apresentam este medo persistente, irracional, excessivo e reconhecido como tal, tendem a evitar o contacto com estranhos uma vez que esta situação lhes provoca extrema angustia, ansiedade, aumento da tensão arterial e da frequência cardíaca. Nos casos mais graves podem, inclusive, ter um ataque de pânico. O evitamento, antecipação ansiosa ou mal-estar em relação à situação temida, interfere significativamente com as rotinas normais da pessoa, funcionamento ocupacional, relacionamentos e atividades sociais desenvolvidas.
A presença deste tipo de fobia nas pessoas está habitualmente relacionada com acontecimentos traumáticos que envolvem o objeto ou situação fóbica e/ou fatores psicossociais.
Para o tratamento da xenofobia são normalmente utilizados os métodos da terapia comportamental. O principal princípio desta terapia no que concerne às fobias, é o da exposição ao objeto ou situação fóbica. No caso particular da xenofobia, será a exposição do doente a pessoas estranhas. Assim sendo, o sujeito vai descobrir que tal situação aterrorizadora não representa qualquer perigo ou ameaça como ele imaginava. Para ser possível este tipo de encontros, o sujeito vai aprender determinadas técnicas para lidar com a ansiedade ou angústia que sente em relação ao encontro com pessoas desconhecidas. De todos os métodos comportamentais, a dessensibilização sistemática parece ser o que melhor resulta no tratamento da xenofobia, uma vez que a exposição à situação ou objeto fóbico é gradual.
A técnica de dessensibilização sistemática foi desenvolvida entre 1952 e 1958 por Joseph Wolpe (psiquiatra sul-africano defensor da terapia do comportamento). O doente, durante um estado de relaxamento físico, vai imaginar uma hierarquia de situações que lhe provoca ansiedade, com o objetivo de familiarizar-se com elas e, ao mesmo tempo, com a finalidade da diminuição das respostas ansiosas.
Este tipo de perturbação fóbica habitualmente implica o desenvolvimento de crenças irracionais, pelo que também é recomendado que se busquem estratégias cognitivas que trabalhem tais crenças.
Em alguns casos mais graves é habitual a administração de medicamentos que tenham por objetivo principal a diminuição da ansiedade extrema, uma vez que esta impede que se realizem as sessões terapêuticas de uma forma eficaz.
Como referenciar: xenofobia in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-09-18 16:59:00].
Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$xenofobia
Para concluir...
O racismo é a doutrina que defende que há etnias superiores a outras; é também o preconceito que leva a ver como inferiores os indivíduos de etnia diferente.
A xenofobia é, etimologicamente, «a aversão aos estrangeiros», do grego 'xénos', «estrangeiro», e 'phóbos', «temor» (cf. Dicionário Houaiss). Ser xenófobo teria aparentemente uma dimensão mais emocional, mas na prática acaba por se confundir com racista, dado que ambos os termos têm em comum a ideia de «preconceito». Esta é claramente oposta à de «razão» ou «racionalidade», até pela sua própria etimologia: trata-se de um conteúdo mental que ainda não chegou à elaboração de um «conceito».
A formação de preconceito é disso ilustrativa: trata-se de um derivado, formado por pré- e conceito, ou seja, interpretável como «anterior ao conceito» ou anterior a todo o exame crítico que conduz ao verdadeiro conceito.
Em: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/que-nos-contam-as-palavras-racismo-e-xenofobia/4263 [Consultado em 24-09.2019]
Todas estas questões, nomeadamente o racismo e a xenofobia, têm vindo a colocar-se cada vez mais na ordem do dia face ao fluxo de refugiados provenientes da Síria, do Iraque, e também de África que se dirigem à Europa, sobretudo aos países mais ricos do norte do nosso continente, fugindo da guerra e da pobreza, tendo frequentemente sido vítimas de naufrágios no Mediterrâneo, da exploração de indivíduos e grupos que praticam tráfico humano, e ainda da recusa de alguns países em recebê-los.
Conclusões finais
As transformações na educação levam tempo a surtir efeitos e é urgente quebrar o círculo vicioso da exclusão das minorias étnicas “racializadas”. Devido à centralidade do trabalho na vida contemporânea, é essencial garantir a plena integração dos imigrantes e das minorias, nomeadamente os ciganos, no mercado de trabalho formal.
É importante reforçar os mecanismos dissuasores da discriminação racial de modo a que não se crie, por um lado, a ideia de que atos racistas podem ficar impunes e, por outro, entre as vítimas de discriminação, a ideia de que não vale a pena recorrer aos mecanismos de proteção legal devido à sua ineficácia.
A grande operação policial contra os grupos de extrema-direita que difundem mensagens de ódio racial contra judeus, árabes e imigrantes foi um passo certo, na medida em que toda a vigilância contra as formas extremas de racismo é pouca. No entanto, não é esta hoje a forma mais comum de discriminação racial.
Após a segunda guerra mundial e a revelação dos crimes nazis contra ciganos, judeus e outros grupos, a condenação generalizada dos ideais de supremacia racial levou a uma diminuição no espaço público das afirmações abertas de superioridade racial, prevalecendo assim o que na literatura se chama a norma anti-racista. Isto não significa que tenha acabado a inferiorização de grupos, mas agora esta inferiorização apresenta-se de forma mais subtil, acentuando as diferenças culturais e atribuindo aos grupos inferiorizados características culturais menos valorizadas. O tipo de discriminação que resulta é menos a violência racial do skinhead e mais a discriminação quotidiana no emprego, na habitação, na educação, que raramente se assume como racista. Acabar com esta forma de menorizar e inferiorizar grupos inteiros de seres humanos é uma tarefa essencial de qualquer agenda igualitária. Porém, primeiro temos de ter a coragem de assumir que ela existe e substituir a verdade incómoda de que o inimigo está entre nós pela mentira reconfortante que insistimos em acreditar.
Bibliografia:
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013 https://www.priberam.pt/dlpo/
Ciberdúvidas da língua portuguesa
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/que-nos-contam-as-palavras-racismo-e-xenofobia/4263
Olá.
Também podes participar neste jogo de adivinhar enigmas.
Também podes ir à biblioteca da Escola Básica General Humberto Delgado e pedir um boletim de resposta e colocá-lo na caixa depois de preenchido.
Ou podes enviar uma mensagem de e-mail com a resposta e a tua identificação, por exemplo usando o código QR abaixo, ou seguindo o link da linha de cima.
Concorre.
Olá.
Vamos tentar adivinhar a que livros pertencem estes excertos?
Vamos tentar.
O excerto nº 37 pertence a...
O excerto nº 38 pertence a...
O excerto nº 39 pertence a...
E o excerto nº 40 pertence a...
Adivinhaste?
Então podes ir à biblioteca da Escola General Humberto Delgado e preencher uma ficha para te candidatares a prémios.
Ou podes enviar-nos a tua resposta por correio eletrónico. Basta clicares no código abaixo e enviar as respostas e a tua identificação (nome, ano, turma, nº de cartão).
Boa sorte.
Aqui está a continuação da nossa atividade iniciada no ano letivo passado, e que tivemos de interromper devido à pandemia:
As perguntas semanais
Podes responder diretamente na tua biblioteca, pedindo uma ficha à funcionária de serviço ou a uma das professoras ou dos professores que aí estiverem.
Preenche essa ficha com os teus dados e pede para a colocarem na caixa de respostas.
Também podes enviar a tua resposta para o email da biblioteca, para o endereço becre.ghd@aeghd.pt.
Aqui fica a questão desta semana:
Entre os muitos filmes de animação interessantes da PIXAR, encontramos um sobre bullying.
Embora a versão disponível no YouTube não esteja completa, fica-se com uma visão geral do pequeno filme animado.
O que é o bullying?
Existem várias definições para esta realidade, mas podemos dizer que o bullying é uma forma de violência contínua que acontece entre colegas ou entre pessoas que tenham alguma característica em comum (como, por exemplo, terem mais ou menos a mesma idade ou estudarem no mesmo sítio).
BULLYING FÍSICO:
- Empurrar, amarrar ou prender.
- Dar bofetadas, murros ou pontapés.
- Cuspir, morder.
- Roubar dinheiro ou outros bens pessoais.
- Rasgar roupa e/ou estragar objetos.
BULLYING SEXUAL:
- Insultar ou fazer comentários de natureza sexual.
- Obrigar à prática de atos sexuais.
BULLYING VERBAL:
- Chamar nomes.
- Gritar.
- Gozar, fazer comentários negativos ou críticas humilhantes.
- Ameaçar.
BULLYING SOCIAL:
- Deixar de fora dos trabalhos de grupo e/ou dos jogos.
- Inventar mentiras.
- Espalhar rumores, boatos ou comentários negativos ou humilhantes.
CYBERBULLYING:
Espalhar informação falsa, assediar/perseguir, incomodar e/ou insultar através de SMS, MMS, e-mail, websites, chats, redes sociais.
BULLYING HOMOFÓBICO:
É uma forma de bullying motivada pelo preconceito em relação à orientação sexual ou identidade de género de outra pessoa (seja essa pessoa homossexual, heterossexual, bissexual ou transsexual).
Pode tomar a forma de bullying físico, sexual, verbal, social e/ou cyberbullying, como, por exemplo:
- Contar (ou ameaçar contar) a outras pessoas, contra a nossa vontade, segredos ou informações sobre a nossa sexualidade;
- Discriminar com base na nossa identidade e expressão do género sexual (relacionado com a maneira como nos vestimos ou nos expressamos);
- Fazer comentários negativos de cariz sexual e/ou gestos obscenos;
- Praticar toques sexuais indesejados ou outros atos sexuais contra a nossa vontade;
- Fazer comentários e/ou piadas homofóbicas;
- Denegrir a nossa imagem junto de outras pessoas, inventando mentiras ou espalhando rumores/informação falsa;
- Excluir propositadamente do nosso grupo de amigos e/ou forçar o afastamento dos amigos ou das pessoas que nos são mais próximas;
- Deixar de fora das atividades, dos desportos/jogos e/ou das coisas que gostamos de fazer.
AFINAL O QUE É O CYBERBULLYING?
É uma forma de bullying cometido através da Internet e das novas tecnologias, em que alguém (normalmente uma pessoa/grupo que conheces da vida “real”) procura ofender, envergonhar e humilhar outra pessoa.
Qualquer jovem pode ser vítima de cyberbullying através de, por exemplo:
- emails ou mensagens recebidas (no telemóvel, no Facebook, em chats) com ofensas, insultos ou ameaças;
- emails ou mensagens recebidas (no telemóvel, no Facebook, em chats) contendo vídeos e/ou fotos que causam desconforto ou embaraço;
- emails recebidos contendo vírus;
- uso das passwords para entrar no email e/ou na conta do Facebook para enviar emails insultuosos ou para publicar informação ofensiva ou falsa (sobre nós ou sobre pessoas que conhecemos);
- emails, mensagens ou comentários partilhados com outras pessoas (pelo telemóvel, no Facebook, em chats), que contenham informação falsa ou humilhante sobre nós, tais como comentários, fotos, imagens ou vídeos, para envergonhar e prejudicar.
O que é o CYBERSTALKING?
STALKING significa um conjunto de comportamentos de assédio persistente e de contactos indesejados efetuados por uma pessoa contra outra, com o objetivo de conhecer, seduzir, começar (ou reatar) uma relação mais íntima com essa pessoa (por exemplo, namoro). Esses contactos e aproximações são feitos de uma forma que causa desconforto, assusta e intimida a outra pessoa.
O CYBERSTALKING é uma forma de stalking que envolve o uso da Internet e das novas tecnologias para comunicar e tentar o contacto ou a (re)aproximação a alguém.
A pessoa que realiza este tipo de comportamentos pode ser:
- desconhecida;
- conhecida (ex.: ex-namorados/as; amigos; colegas).
O stalking pode começar por contatos que parecem inofensivos e românticos como, por exemplo:
- ligar constantemente para dizer ‘olá’ ou para perguntar ‘como estás?’;
- enviar várias mensagens escritas ou emails com juras de amor.
Estes contactos podem evoluir para situações cada vez mais incómodas e reais, por exemplo:
- aparecer nos sítios que a pessoa frequenta, por exemplo, no café;
- vigiar os passos da pessoa, acompanhado as atividades e percursos que esta vai fazendo;
Os contactos e aproximações podem mesmo chegar a envolver violência física ou verbal e ameaças.
Não. Para além do bullying, há outras formas de violência na escola, por exemplo: roubos; vandalização do material ou da propriedade escolar; violência contra professores ou outros funcionários; violência dentro da sala de aula; violência sexual; violência no namoro.
A violência entre colegas é normal quando se está na brincadeira?
Não. A violência não é um comportamento normal. A violência também não é uma brincadeira. Nas brincadeiras é suposto que todos os intervenientes retirem gozo e prazer da experiência. Os colegas podem “pregar” partidas uns aos outros mas, quando essas brincadeiras têm como propósito envergonhar, magoar ou prejudicar outra pessoa, deixam de ser partidas para serem um comportamento agressivo ou violento.
Se pensares em “como me sentiria se fosse eu que estivesse no lugar daquele/a rapaz/rapariga que está ali a ser gozado/a?”, rapidamente percebes que a brincadeira só é engraçada para alguns (para quem está a ser gozado/a não é engraçado e, pelo contrário, pode causar vergonha, medo e muito desconforto).
Quem comete mais bullying: os rapazes ou as raparigas?
Ambos. Quer rapazes, quer raparigas podem cometer bullying. Os rapazes e as raparigas distinguem-se pelas formas de agressão que costumam usar:
As raparigas envolvem-se mais facilmente em formas de bullying social, como espalhar rumores, excluir alguém de um grupo ou outras estratégias que procuram humilhar a pessoa no seu grupo de amigos.
Os rapazes recorrem a formas de bullying mais diretas, como os empurrões, a agressão física e os insultos.
Quando é que o bullying começa?
O bullying é um comportamento que geralmente se inicia no ensino básico. Pode, no entanto, continuar durante o ensino secundário e a idade adulta. Se ninguém tomar qualquer atitude em relação à situação, alguém que é agressivo/a quando é jovem manterá esse comportamento nos seus relacionamentos futuros (de amizade, de trabalho, de intimidade).
Excluir um colega do grupo ou espalhar rumores acerca de um amigo pode causar o mesmo impacto do que a violência física?
Sim. O impacto psicológico de uma experiência de violência depende de diferentes fatores:
- do tipo de violência - quando a violência é prolongada no tempo e envolve formas mais graves de agressão, como a agressão física ou a sexual, o impacto negativo pode ser maior;
- das características da vítima - os jovens inseguros e com menos autoestima podem sofrer um impacto negativo mais acentuado;
- do apoio dos pais, professores e amigos - se a vítima estiver mais isolada e decidir não contar a ninguém o que se está a passar, o impacto negativo pode ser mais intenso; ao mesmo tempo, ao não contar o que está a acontecer, o risco de a violência se repetir é maior.
O risco de a violência causar lesões, ferimentos e problemas físicos na vítima é, em princípio, maior quando a situação envolve violência física, porque existe contacto direto entre a vítima e o/a agressor/a. A exclusão e o “espalhar” de rumores pode acontecer sem que vítima e agressor/a estejam cara-a-cara, por isso, o risco de lesões ou ferimentos é menor.
Um dos meus amigos tem sido vítima de bullying.
O que posso fazer para ajudar?
Podes apoiá-lo/la e dar-lhe mais atenção, passando, por exemplo, mais tempo com ele/ela. Deves mostrar que compreendes o que ele/ela está a viver e que entendes que não queira contar a ninguém. Mesmo assim, aconselha-o/a a contar a alguém: diz ao teu amigo/a para procurar ajuda junto dos pais, dos professores ou de outros profissionais.
O que fazer se fores vítima de bullying:
Conta o que se está a passar a um/a amigo/a ou colega em quem confies. A simples presença de um amigo/a ou colega pode ajudar-te e proteger-te.
Conta o que se está a acontecer a algum adulto de confiança que trabalhe na escola. Conta também aos teus pais.
Os adultos só poderão ajudar-te se souberem o que estás a viver.
Também podes ligar para a APAV (Associação de Apoio à Vítima). Para saber como nos contactar procura os contactos na Internet. Podes pedir ajuda sem te identificares. O apoio é gratuito e confidencial. A APAV presta apoio a todas as vítimas, independentemente de terem ou não denunciado a situação às autoridades.
Mesmo assim, é importante que a situação seja denunciada às autoridades.
Quer tenhas ou não pedido ajuda ou denunciado o que se estiver a passar, há algumas estratégias que podes sempre usar para te protegeres:
- Grava contactos telefónicos importantes no teu telemóvel, para poderes pedir ajuda facilmente caso precises.
- Quando saíres diz a alguém em quem confies onde vais e a que horas regressas. Avisa sempre os teus pais.
- Procura caminhos alternativos para os locais que costumas frequentar (por exemplo, de casa para a escola e da escola para casa).
- Procura andar na companhia de pessoas em quem confies. Evitar ser “apanhado/a” sozinho/a é uma forma de evitar as investidas do(s) agressor(es).
- Se te deparares com o(s) agressor(es) responde com segurança, sem medo e sem violência. Não mostrares que estás assustado/a pode ser suficiente para que o bullying acabe.
- Se sentires que estás numa situação de perigo, vai para um local onde te sintas seguro/a ou para um local onde estejam mais pessoas. Também podes ligar 112. O profissional que te atender enviará para o local em que te encontras os meios necessários para te proteger.
DEVO DENUNCIAR?
QUALQUER PESSOA QUE TENHA SIDO VÍTIMA DE CRIME OU QUE TENHA TESTEMUNHADO A OCORRÊNCIA DE UM CRIME PODE DENUNCIÁ-LO.
Se foste vítima ou testemunhaste algum crime, é muito importante que o denuncies às autoridades. Se o fizeres, a probabilidade de a pessoa que o cometeu ser punida e impedida de fazer o mesmo a outras pessoas é maior.
Decidas o que decidires, tens sempre direito a ser apoiado/a. Mesmo que não denuncies o crime, é muito importante falar com alguém sobre o que te aconteceu, sobre como te sentes e obter todo o auxílio e apoio de que necessitas.
É natural que te sintas apreensivo/a por ter que falar com os teus pais, com os teus professores ou com as tuas professoras, ou com as autoridades policiais sobre o que aconteceu ou sobre o que testemunhaste. Contudo, podes ter ajuda ao longo de todo o processo.
É importante que pais, professores a amigos da vítima de bullying e cyberbullying estejam atentos aos sinais desta agressão, tais como:
- Isolamento.
- Decréscimo no rendimento académico ou profissional ou aumento das horas de estudo (por exemplo, o tempo dedicado à atenção virada para uma só tarefa).
- Não querer estar com amigos e colegas.
- Não querer sair de casa.
- Não atender o telefone.
- Colocar o computador num local comum.
O simples facto de o computador estar num local onde toda a gente passa, previne que muitas vezes se deixe que os agressores vão mais longe. Principalmente em crianças, que são mais inocentes e não têm tantas defesas, assim sempre podem ter um adulto por perto a verificar o que se passa online. E caso suceda algo, deve-se conversar com a criança e explicar-lhe que ela não tem o direito de ser humilhada e agredida.
- Não partilhar dados pessoais.
Apesar de ser algo se já se devia saber, ainda há quem partilhe dados pessoais, como fotos e número de telemóvel à disposição no Facebook, e isso facilita a vida aos agressores.
- Guardar as mensagens de cyberbullying.
Podem não ser muito agradáveis de ler, mas são uma prova caso o assunto se torne mais problemático e necessite da intervenção de entidades especializadas.
- Mudar de email.
Quando sentires que estão a usar o teu e-mail em sites, muda-o. Isto aplica-se também a passwords, contas de redes sociais, etc.
Eis algumas, que nos serviram também de bibliografia:
FILMES SOBRE CYBERBULLYING:
Cyberbully — Ameaça virtual (2011)
Cyberbully (2015)
Marion, 13 anos Para Sempre (2016)